A Associação dos Profissionais da Segurança (APS) participa até a próxima sexta (10) da XIII Encontro Nacional de Entidades Representativas de Praças, que acontece no Hotel Maria do Mar, em Florianópolis. Este ano o tema do evento trata: “A condição do praça policial e bombeiro militar no atual modelo de Segurança Pública. O que mudar?”. A abertura na noite desta quarta (08) contou com a presença de representantes de entidades da categoria e dos poderes legislativo estadual e federal e da pesquisadora do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, Samira Bueno, que ministrou a palestra inicial.

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A mesa de abertura foi composta pelo presidente do Sindicato dos Policiais Civis de Santa Catarina (Sinpol-SC), Anderson Vieira de Amorim; o tenente-coronel Dionei Tomêti, que representou o comandante-geral da Polícia Militar de Santa Catarina; o presidente da Associação de Praças de Santa Catarina (Aprasc), subtenente Edson Fortuna; o presidente da Anaspra, cabo Elisandro Lotin;  o deputado estadual Maurício Eskudlark, que representou o presidente da Assembleia Legislativa de Santa Catarina (Alesc); o coronel bombeiro militar César de Assumpção Nunes, que representou o comandante-geral do Corpo de Bombeiros de Santa Catarina (CBMSC), o vice-presidente da Anaspra, Héder Martins de Oliveira, e a diretora-executiva do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, Samira Bueno.

“É necessário e pungente debater questões que envolvem os praças de todo o Brasil. Na Segurança Pública somos a categoria que mais morre e precisamos nos apropriar desse debate para criarmos ações contra essa verdadeira guerra que estamos vivenciando. A responsabilidade disso não é só nossa, é do estado e de toda sociedade. E nós temos que fazer parte disso”, declarou o cabo Elisandro Lotin, presidente da Associação Nacional de Praças (Anaspra).

Segundo o vice-presidente da Anaspra, Héder Martins, o simples fato de usar uma farda no Brasil já é uma sentença de morte. “Tirando os países que vivem em guerra, somos o único que vivenciamos essa terrível realidade de termos que esconder a nossa profissão. Há pouco tempo os praças não eram nem coadjuvantes nesse debate. E ainda que lentamente conseguimos avançar em processos democraticamente sólidos e que fazem com que mudemos alguns posicionamentos. Precisamos avançar mais ainda”, enfatizou.

No Ceará atualmente vivemos uma triste realidade de 34 agentes de segurança mortos no ano passado e estamos com 25 em 2017. A população cearense assiste a essa “carnificina” e o Governo do Estado ainda não apresentou um plano de ação que possa de fato combater esse problema quanto mais o avanço das facções criminosas, que mandam e desmandam no Estado. As associações militares estaduais e os parlamentares já apresentaram diversas sugestões e propostas de melhorias, mas sem retorno dos órgãos competentes e Governo do Estado. “Fazemos parte do seio da tropa e lidamos com o cotidiano desses profissionais. Nós que estamos na linha de frente podemos sim nos unir na busca de melhorias para todos. Quem ganha? O profissional que estará mais amparado e a sociedade, que terá uma corporação melhor estruturada para lidar com o avanço do crime”, pontuou Reginauro Sousa, presidente da APS.

A palestra que deu início ao evento foi ministrada pela pesquisadora e diretora-executiva do Fórum Brasileiro de Segurança Pública – FBSP, Samira Bueno, que apresentou dados do Fórum sobre letalidade, saúde e o cotidiano dos policiais no Brasil, coletados no ano de 2016.

“Quando falamos em Segurança Pública é necessário tratar de forma aprofundada o profissional que está na linha de frente. Hoje são mais de 60 mil pessoas mortas por ano e cerca de 500 policiais assassinados por ano. Este é um problema regional que diz respeito ao desenvolvimento. A ação errônea de limitar gastos públicos nos próximos 20 anos nesta área é condenar a população à míngua. Para educação e saúde foi garantido o mínimo constitucional. Mas na Segurança Publica está sendo cortados todos os recursos e toda a sociedade perde” conclui a pesquisadora.

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