Enquanto o Governo comemora a redução do índice de homicídios, a categoria de policiais civis e militares está bem longe de ter um ano positivo neste quesito. Dados divulgados pelo jornal OPOVO de hoje, 9 de setembro, mostram que os profissionais que deveriam zelar pela segurança da população foram mortos este ano mais que em 2014, um aumento de 57% em comparação ao mesmo período do ano passado.

A falta de leis mais rígidas, a facilitação ao acesso de armas para criminosos, uma política nefasta de desacreditar o trabalho das forças policiais por uma parcela da imprensa e da sociedade são alguns dos fatores que explicam – mas não justificam, jamais – as mortes de homens e mulheres que lutavam contra a criminalidade.  De janeiro a setembro deste ano 11 policiais civis e militares foram mortos este ano.

O sargento da reserva Luís Gomes Plácido, 54 anos, é 11o policial morto da lista. A triste média de mais de um policial militar ou civil assassinado por mês mostra que o ataque a profissionais da segurança, da ativa e da reserva, vai na contramão da redução dos índices de homicídios aclamada pelo Governo nos primeiros meses do ano e que, em agosto, voltou a apresentar evolução dos índices.

Pesquisa do Fórum Brasileiro de Segurança Pública divulgada em julho deste ano mostra que de cada 100 policiais, 75 já foram ameaçados dentro de seu ambiente de trabalho. Muitos escondem da sociedade a profissão, que deveria ser motivo de orgulho. Mas transporta em si a possibilidade de uma execução pelo simples fato de ser policial e representar uma ameaça ao criminoso na hora de um roubo, por exemplo. Quase uma caça aos homens da lei.

Como exigir que seja dada segurança quando os profissionais desta área estão sendo mortos paulatinamente? Sem contar os que se encontram com problemas de saúde, como o cb Eudes, que ficou paralítico ao intervir em uma tentativa de assalto a coletivo.  Atualmente ele conta com o apoio dos policiais, demais amigos e familiares para uma vida mais digna. Nenhum representante dos direitos humanos foi visitá-lo.

A Associação dos Profissionais da Segurança pede à sociedade que valorize quem, literalmente, sai de casa todos os dias para, com o sacrifício de sua própria vida, defender o patrimônio ou a integridade física de terceiros. E pede ao Governo que respeite os profissionais da segurança, policiais militares, civis, bombeiros, agentes penitenciários e peritos forenses, que reconheça a importância destas profissões e os valorize, financeira e tecnicamente, para a redução significativa dos índices de violência.

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