A organização da Polícia Militar como a conhecemos surgiu durante a Ditadura Militar, tendo em vista a doutrina da segurança nacional. Porém, uma parcela da população brasileira discorda dessa estrutura e luta pela desmilitarização da polícia.

No Ceará, o debate têm se intensificado após as manifestações sociais em junho de 2013. À medida em que as reivindicações avançavam, como o fato de a área de segurança ter sido pouco contemplada na redemocratização, os debates sobre repressão policial sofrida por alguns manifestantes aumentou, o que levou à criação do Comitê Cearense pela Desmilitarização da Polícia e da Política, lançado no dia 11 de novembro de 2013.

No lançamento do comitê, houve 250 presentes, entre eles vereadores, partidos políticos, movimentos sociais, promotores públicos, grafiteiros, entre outros. Os comitês promovem debates, produzem textos e realizam intervenções artísticas e passeatas.

A campanha nacional possui entre os membros educadores, policiais, ex-policiais e integrantes de movimentos sociais. No Brasil existem os três comitês mais atuantes ficam em São Paulo, outro em Brasília e um no Ceará.

Apesar de essa demanda exigir um esforço muito maior e difícil de ser enfrentado, é necessário debater o assunto e repensar a atuação da nossa segurança pública. A psicóloga Ana Vládia Holanda Cruz participa dessa luta e afirma que uma das principais reivindicações está na formação dos policiais.

“É preciso mudar essa formação, que é fincada no conceito de extermínio, que vê o outro como inimigo, para um sistema baseado na garantia de direitos, para que os policiais possam agir de forma preventiva”, explica a psicóloga.

“Nesses casos, a polícia não está ali para atuar de forma preventiva e nem está articulada com outros setores da sociedade como lazer, educação, arte e assistência social. Estes sim devem conviver com a comunidade”, detalha a integrante do comitê.

Em quase um ano de existência, o comitê já levou a discussão a bairros periféricos como Bom Jardim e Bairro Ellery, realizou debates em escolas públicas e está elaborando uma cartilha sobre desmilitarização para explicar o objetivo do comitê e tirar dúvidas sobre o assunto.

Para avançar nas discussões, o comitê realiza reuniões quinzenais na sede dos Desaparecidos Políticos, localizada na rua Instituto do Ceará, 164, no bairro Benfica.

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