Há muito tempo aqui no Ceará, o poder das facções criminosas ultrapassou os muros das penitenciárias e se consolidou nas ruas. As facções controlam os índices de homicídio no estado que, após a quebra do acordo de paz, teve um aumento alarmante de 25,4%, comparado ao primeiro semestre do ano passado.

Controlam também a movimentação dentro das comunidades com ordens para “baixar o vidro, ligar a luz interna dos carros e tirar o capacete”, estampadas nas paredes. Nesses bairros, pessoas armadas fazem a “segurança”, para impedir que grupos rivais invadam o lugar. É uma verdadeira guerra em busca de poder e, infelizmente, só quem sofre com tudo isso é a população cearense, que vive amedrontada.

De acordo com a Polícia Civil, está havendo um ‘investimento’ nacional nas facções do Ceará, são elas: Comando Vermelho (CV), Primeiro Comando da Capital (PCC), Família do Norte (FDN) e Guardiões do Estado (GDE). O PCC é a maior facção do Brasil e atua com força no estado. A facção possui mais de sete mil integrantes, apenas em São Paulo, onde surgiu e hoje tem ramificações em praticamente todo o território nacional.

Ambas com organização, fidelidade e comprometimento conquistam os territórios. Elas comandam, inclusive, o sistema penitenciário. A amostra que tal fato é real, aconteceu no início deste ano, onde a Secretaria da Justiça e da Cidadania (Sejus) decidiu isolar as quatro facções criminosas em unidades prisionais diferentes como prevenção para novos atritos. E finalmente, após dois anos negando a presença das facções criminosas nos presídios cearenses, o governador do estado, Camilo Santana, admitiu.

Enquanto as facções comandam o estado, o Ministério Público do Ceará (MPCE) se preocupa em investigar a atuação das associações de militares estaduais e pede a dissolução delas. Associações estas que surgiram e se consolidaram pela ineficiência do Estado em amparar devidamente os seus servidores. Então, a dissolução destas trará prejuízo incalculável, principalmente para a Segurança Pública, que sofrerá com uma tropa insegura e desmotivada. Até porque foi através destas entidades que os militares ganharam dignidade!

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