Como parte da programação do XIII Enerp, realizado em Florianópolis, foram debatidas questões sobre problemas de saúde físicos e psicológicos causados em decorrência da atividade militar, como depressão e também os altos índices de suicídios. Atualmente esses casos são tratados com preconceito pelos superiores e colegas de profissão e o Estado não oferece aos profissionais o devido atendimento.

Entre 2006 em 2016, em 10 anos, houve 228 suicídios de policiais civis e militares no Brasil. Os trabalhadores que deveriam ter equilíbrio físico e emocional para atender o cidadão em momentos de conflito e tensão também padecem em processos de adoecimento.

O painel “Saúde física e psicológica de policiais e bombeiros militares”, contou com a presença de Diego Remor Moreira Francisco, chefe do Setor de Psicologia e Serviço Social da Diretoria da Saúde e promoção Social DSPS da PMSC; do soldado Gustavo Klauberg Pereira, também da DSPS/PMSC; e Héder Martins de Oliveira; vice-presidente da Anaspra; e foi mediado pelo presidente da Aprasc, Edson Fortuna.

Inclusive os policiais Diego Remor e Gustavo Klauberg, que conhecem a fundo o cotidiano por fazerem parte da corporação, fazem atendimentos no setor de psicologia na PM de Santa Catarina. No Ceará, diversas funções que não são consideradas atividades fim são executadas por PMs, e mesmo assim não são vistos como desvio de função pela instituição, entretanto temos profissionais que poderiam desempenhar atividade de assistência de saúde e não são aproveitados de forma alguma pela corporação.

Na Polícia Militar do Estado do Ceará existe apenas uma psicóloga no setor para ao atendimento de cerca de 20 mil homens. Hoje serviços de psicologia que deveriam ser oferecidos pelo Estado, prioritariamente, são disponibilizados pelas associações. Atualmente a APS tem em uma equipe 2 psicólogas para o atendimento diário dos profissionais de Segurança Pública.

Já na Polícia Militar de Santa Catarina foram contabilizados 9 suicídios. Isso significa 10 vezes mais que a população em geral, sendo que o estado é o segundo maior em número de suicídios. Esses altos números tem uma relação direta com o trabalho, não dá pra desvincular esse processo de adoecimento do trabalho.

Os policiais estão expostos diariamente no socorro de vítimas, contato com a morte, violência, trabalho excessivo, relações pessoais pautadas em hierarquia e disciplina e condição permanente de vigilância, fatores fortes que causam o adoecimento.

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