Na próxima quinta-feira (14/05) será realizada na Controladoria Geral de Disciplina (CGD) a reunião do COSIP, essa é a segunda instância julgadora de recursos administrativos em procedimentos disciplinares dos profissionais de segurança do Estado do Ceará. Na ocasião serão tomadas decisões com relação as demissões do Soldado PM Michel Mendonça e  do Cabo BM Reginauro Sousa.  Desde que assumiu a CGD a Dra. Socorro França se comprometeu em julgar os casos em conformidade com os princípios constitucionais brasileiros. A promessa vem sendo cumprida, no início de abril as demissões dos dois militares foram suspensas e na reunião desta quinta-feira será dado o parecer final sobre os dois casos. “Nós esperamos que essa decisão possa facilitar também o reingresso dos demais demitidos”, diz o Cabo Reginauro Sousa, presidente da APS.

Os militares foram demitidos durante a gestão do ex-governador Cid Gomes pelo fato de em janeiro de 2013 terem participado de uma reunião convocada pela Associação dos Profissionais da Segurança Pública do Ceará (Aprospec) para discutir em conjunto com representantes do governo, parlamentares e outras entidades, os itens cumpridos e não-cumpridos do Termo de Acordo assinado para por fim à paralisação da PM e BM em 2012.Poucos dias após a reunião, realizada dentro do que determina a Constituição Federal, mais de 44 militares sofreram punições administrativas, sendo 12 demitidos.

FUZILEIRO NAVAL DEIXA AS FORÇAS ARMADAS PARA SERVIR À PM DO CEARÁ E É DEMITIDO INJUSTAMENTE

Rafael Lima serviu, por seis anos, à Marinha do Brasil, chegando ao posto de fuzileiro naval. Pela excelente conduta Rafael participou, durante seis meses, da Missão de Paz no Haiti conhecida como Minustah. Em 2010 o então cabo da Marinha abriu mão da carreira nas Forças Armadas para ingressar nos quadros da Polícia Militar do Estado do Ceará.  Com poucos mais de dois anos na corporação o soldado PM Rafael Lima, que nunca recebeu nenhum tipo de punição, por ter um comportamento exemplar, foi demitido, sob a alegação de estar participando da reunião que o governo considerou um encontro para arquitetar uma nova greve, o que jamais aconteceu.

SAM_2716“Eu participei da reunião porque ela seguia os moldes da Constituição Federal. Mas para me punir só levaram em consideração tudo de ruim que eles acharam que a reunião poderia propiciar para o Estado, e desconsideraram todo o meu histórico, os bons antecedentes e serviços prestados”, conta o ex-soldado da PM.

Rafael revela o que sentiu ao tomar conhecimento da demissão. “Eu me senti péssimo, pois é muito irônico você estudar direito e ver claramente que um direito seu está sendo tirado de uma forma ditadora e clara de que é uma perseguição política”. Para o militar a postura da nova controladora geral de disciplina, Dra. Socorro França, dá sinais de que a relação entre CGD e PM será diferente e injustiças serão corrigidas. Com isso se ascende a esperança de retornar à corporação. “Eu não sei quando. Mas tenho certeza que eu vou voltar”, afirma Lima.

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